Salvador Rico chegou como peão e virou fazendeiro

O paulista Salvador Rico Rodrigues chegou a Londrina com a mala na mão, produziu café, leite e criou raízes na terra roxa do Paraná.

Em 1937, dois anos depois que os ingleses da Companhia de Terras Norte do Paraná chegaram com os trilhos da estrada de ferro a Londrina, o paulista de São José do Rio Preto Salvador Rico Rodrigues desembarcava em Londrina, aos 20 anos de idade. Sem profi ssão, mas esperto para os negócios e com muita vontade de vencer, foi trabalhar nas lavouras de café de Luiz Brugin. Pouco tempo depois, meio a contragosto dos Brugin, o patrão virou sogro. Salvador casou-se com Amélia, filha de Luiz Brugin. Trabalhador e com muita desenvoltura para os negócios, em 1940, já tinha juntado dinheiro para comprar cinco alqueires de café, onde hoje é o Bairro União da Vitória, em Londrina. Os cunhados diziam que ele tinha comprado uma pedreira, pois o lugar era acidentado e com solo pedregoso. Foi lá que progrediu e formou sua família. Teve cinco fi lhos, Odila, Salvador,Aparecida, Ana Maria e Antonio. Além de cultivar a sua lavoura, ele gostava mesmo é de negociar, contam os filhos Salvador Rico Filho, o “Kiko”, e Antonio Carlos Rico, o “Toninho”, agricultores e parceiros do Grupo Agro100. Kiko e Toninho contam que o pai sempre gostou de negociar. No sítio comprava tudo que podia da vizinhança, carregava na sua carroça e vinha vender na cidade. Além da produção de café, ele enxergou uma boa perspectiva na produção de leite. Vendia leite na rua, em Londrina. Salvador Filho lembra que ele e a irmã Odila levantavam às quatro horas da manhã para ordenhar as vacas para o pai. Kiko e Odila seguiram o caminho do pai, até hoje eles produzem leite em suas propriedades. Salvador Filho lembra que com 12 anos ele já entregava leite de carroça no Jardim Europa, em Londrina. Aos 16, o pai tirou-lhe uma licença para ele dirigir o Jeep Willys e fazer a entrega do leite nas ruas de Londrina. Salvador2Salvador Rico, o pai, foi um dos fundadores da Cativa (Cooperativa Agropecuária de Londrina), em 1964. Em 1968, quando a cooperativa começou a receber e pasteurizar o leite, a família Rico deixou de vender o leite na rua. Na época já era um dos maiores produtores da região, com mais de 700 litros por dia. Salvador Rico faleceu em janeiro de 1997, aos 80 anos. O mal de Parkinson o venceu. Mas até os 78 anos, contam os filhos, ele ainda tinha energia para todos os dias acompanhar os trabalhos nas suas propriedades e na leiteria, a sua paixão. Salvador Rico Filho e Antonio Carlos Rico plantaram mais de 300 alqueires de lavouras de milho e soja. Salvador chegou a produzir mais de 4 mil litros de leite por dia. Hoje produz 1.800 litros. A filha mais velha, Odila e sua família continuam produzindo leite na granja que possuem na Usina Três Bocas.