Caetano chegou aqui com 15 anos de idade, em 1945. Veio com os pais e sete irmãos plantar café e algodão. As mesmas lavouras que cultivavam em Tabatinga, município paulista na região de Araraquara. Seu pai, João Chicarelli, comprou as terras em Primeiro de Maio em 1922. Em 1929, derrubou parte da mata do lote de 20 alqueires e plantou milho e café. Mas logo veio o relexo da grande crise econômica mundial e não tinha mais comprador para o café e cereais que produzia. Sem recursos para continuar, abandonou as terras daqui e concentrou a vida da família no trabalho em Tabatinga. Em 1940, João Chicarelli voltou a investir na abertura das terras em Primeiro de Maio, reiniciando a abertura do sítio. Em 1945, mudou-se com a esposa e os oito ilhos pra cá, quatro homens e quatro mulheres e, entre eles, o Caetano, rapazote de 15 anos. Ele lembra que a vida era muito difícil por aqui. “Logo que chegamos era o período do pós-guerra, faltava muita coisa, até farinha a gente não tinha pra comprar. Tinha muita maleita. Fazíamos mutirão para limpar os córregos para evitar a proliferação dos mosquitos. Minha mãe e minha irmã ficaram muito doentes.” João Chicarelli, o patriarca da família, morreu em 1952. Caetano e os irmãos continuaram tocando o sítio e os negócios em conjunto. Por muitos anos cultivaram café, algodão e milho. O café foi acabando por causa do ataque de doenças como a broca e as geadas. E o algodão deu lugar à soja que eles começaram a plantar com pioneirismo em 1972. Paralelamente ao cultivo da terra, a família conseguia algum extra comprando e revendendo mamona, cereais, porcos e bois. Em 1987, ele e os irmãos já eram proprietários de mais de 400 alqueires de terra na região, foi quando, com famílias constituídas, decidiram separar os negócios. “Cada um foi cuidar das suas terras”, lembra ele. Para quem conseguiu comprar a sua primeira bicicleta aos 26 anos de idade, olhar para a sua frota de máquinas agrícolas é um grande orgulho. Equipamentos que chegam a custar cerca de R$500 mil, nos casos dos tratores com plantadeiras, e quase R$ 1 milhão, nos casos das colheitadeiras. Com a ajuda dos filhos Sidnei e Rogério, Caetano Chicarelli planta cerca de 240 alqueires de soja e milho, dentro da mais alta tecnologia e produtividade. Progresso econômico, tecnológico e social tremendo, feito às custas de muito trabalho e dedicação. Para ele, toda a luta nas terras do Norte do Paraná valeu a pena. “Nossa família progrediu muito. Se tivéssemos continuado em Tabatinga, não teríamos conseguido o que conseguimos por aqui”, garante, convicto. Caetano é casado com dona Nadir Aparecida Gomes Chicarelli desde 1966, com quem tem cinco filhos. Homem de ótima reputação na sua comunidade, foi vereador em Primeiro de Maio na década de 70. Deixou a política decepcionado. “A política virou negócio. Com algumas exceções, foi tomada por ricos tontos e pobres espertos. Tem muito pouco idealismo”, finaliza